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O vidro na construção civil

O vidro é um dos materiais mais antigos já conhecidos e utlizados pelo homem. Atualmente os historiadores ainda não dispõem de dados precisos sobre a origem do vidro, mas descobertas de objetos de vidro no Egito e na região da Mesopotâmia levam a crer que este material já era conhecido há pelo menos 4000 anos antes da Era Cristã.

Por meio da revolução industrial, já no século XIX, muitas inovações vistas e disponibilizadas para o público em geral: vidros maiores, mais resistentes e de melhor qualidade. Em meados do século XX, surgiu na Inglaterra a técnica de produção do vidro “float” (vidro fundido sobre um tanque de estanho liquefeito), que proporcionou superfícies extremamente planas, espessuras uniformes e poucas distorções na transmissão de luz visível.

As décadas de 60 a 90 apresentaram um grande avanço tecnológico na produção de vidros, com o aumento da qualidade das superfícies, novos materiais, e melhoria da isolação térmica e acústica. Surgem os panos de vidros duplos, triplos e outras tecnologias associadas.

A conservação de energia, de um modo geral, tem mostrado ser uma preocupação crescente em diferentes setores produtivos da sociedade. A exemplo de outras áreas, também na construção civil, a eficiência energética tem tomado um aspecto fundamental.

Um dos aspectos aos quais se atribui responsabilidade de consumo de energia elétrica às edificações envidraçadas, está relacionado ao condicionamento do espaço interno. Muitos estudos têm demonstrado a veracidade desta culpa atribuída às mesma. Estima-se que em média, a transferencia de calor através de janelas corresponda a 31% da carga de resfriamento em edifícios comerciais dos EUA.

Entretando, os vidros não podem ser considerados apenas vilãs em relação ao alto e crescente consumo de energia elétrica nas edificações, pois estas também representam um caminho para reduzi-lo.

Com a melhoria na eficiência energética dos vidros, tal fato, traz consequencias positivas a curto e longo prazo. Em curto prazo a utilização de vidros eficientes proporciona índices de economia na conta de energia. O melhor isolamento reduz as trocas de calor, influenciando diretamente no consumo de energia por condicionamento. Associado a este fator, há o aproveitameno da luz natural, o qual gera redução da carga térmica e custos com iluminação artificial. Já a longo prazo, pode-se dizer que o uso de vidros energeticamentes eficientes aplicado em grande escala poderá gerar uma maior oferta de energia para o mercado, devido a redução do consumo. Está maior oferta por sua vez traz reflexos sobre o custo da energia, podendo mesmo ser reduzido.

Novas tecnologias em vidros têm mostrado grande versatilidade em aumentar a eficiência energética das edificações. O grande desafio dos fabricantes têm sido desenvolver produtos que permitam grande transparência à luz visível, mas evitando ao máximo a entrada do calor em climas quentes e perda de calor e climas frios.

Fachada espiral em vidro duplo – Mode Gakuen Spiral Towers, Tókio – Grupo de arquitetos Nikken Sekkei

Um aspecto intimamente ligado ao aumento da eficiência das janelas é a certificação dos produtos. Esta certificação pode ser feita através de índices determinados a partir de suas propriedades ópticas e térmicas. Sem tal iniciativa é quase impossível manter um controle sobre as reais influências das aberturas sobre o consumo da edificação.

No que se refere especificamente à aberturas, vidros, de uma maneira geral, no Brasil ainda não existe uma grande preocupação com o impacto no consumo de energia que elas causam. As normas voltadas para o setor são em sua mairoia relacionadas a aspectos construtivos das janelas. Praticamente inexistem normas nacionais relacionadas à eficiência energética de aberturas.

Contextualizando a realidade brasileira, tanto em relação às janelas bem como a eficiência energética em edificações, pode-se dizer que os processos de avanço tecnológico têm sido lentos quando comparados a outros países.

Para o empreendimento Premier (imagem acima), construtora Koprime,  foram testados 5 tipos de vidros disponíveis pelo fornecedor (Santa Rita), junto com a opção de utilizar um vidro claro nas janelas de todas as fachadas na torre do pavimento tipo. A tabela abaixo apresenta as propriedades termofísicas da cada alternativa de vidro testada. A alternativa de vidro claro serve como parâmetro comparativo com as alternativas sugeridas pelo fornecedor.

espessura

transmissividade

refletividade

[mm]

[%]

[%]

Reflect FLOAT (cinza)

8,0

24,0

22,0
Reflect FLOAT (verde)

8,0

23,5

16,5

Eco LITE (verde)

8,0

30,0

8,0

Cool LITE (verde)

8,0

27,0

25,0

Cool LITE (prata)

8,0

12,0

34,0

Claro

8,0

83,7

7,5

Observa-se que, a linha Cool LITE apresenta a melhor resposta nas duas cores propostas pelo fornecedor. A maior redução da carga térmica é de 29,7% (se comparado com o uso de vidro claro como caso base), e pode ser alcançado com o uso do vidro Cool LITE prata. Para o vidro Cool LITE verde a redução de carga térmica é de 22,6%. Estes resultados enfatizam também a importância do ganho de calor por radiação solar através das janelas e suas conseqüências na demanda de sistemas condicionadores de ar.

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16/02/2012 at 10:28 Deixe um comentário


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